Craques sem Copa 1: Andrey Arshavin


   18 de novembro de 2009. Dizem que depois daquela noite fria em Maribor, na Eslovênia, Arshavin nunca mais foi o mesmo. Eslovênia 1, Rússia 0. Placar agregado, 2 a 2. Com o gol marcado fora de casa, o pequeno país dos Bálcãs conquistava a vaga para Copa do Mundo do ano seguinte. Era o fim do sonho da Copa para a melhor geração da história da Rússia pós-União Soviética. Os semifinalistas na histórica participação na Eurocopa de 2008 estavam fora da Copa na África do Sul.
   Muitos dos jogadores presentes nessa eliminação traumática ainda viveriam o sonho de disputar uma Copa do Mundo. Alguns, inclusive, mais de uma vez. Três deles, aliás, fizeram parte da recente campanha heroica dos russos na Copa dentro da sua própria casa. O grande craque e capitão da geração que ficou de fora de 2010, entretanto, não teve essa mesma felicidade. Não viveu o sonho de todo jogador de disputar uma Copa do Mundo.
   Já em 2002, quando ainda era um jovem que despontava no Zenit, foi lembrado pela seleção russa, mas foi deixado de fora da lista para a Copa do Mundo daquele ano. 2 anos mais tarde, uma decepção ainda maior. Ausência entre os convocados para a Eurocopa de 2004. Em ambas, eliminação precoce na fase de grupos. Nas Eliminatórias para a Copa de 2006, Arshavin era figurinha carimbada na seleção. Pena que sequer conseguiram uma vaga na repescagem da UEFA. Alemanha 2006? Para eles, só pela televisão.
   Em 2007, fez história pelo Zenit. Foi o melhor jogador da equipe na conquista do Campeonato Russo, que não vinha desde a época do regime soviético. Em 2008, chamou a atenção de toda a Europa quando conduziu o time à conquista da Copa da UEFA, sendo o destaque da final do torneio. Nesse contexto, entra em cena a Eurocopa de 2008, a grande apresentação do craque vestindo a camisa da Rússia.
   Arshavin vivia o seu auge. Ainda assim, corria o risco de novamente ficar de fora de uma grande competição de sua seleção. Uma expulsão nos minutos finais da partida contra Andorra válida pelas Eliminatórias da Euro resultou em dois jogos de suspensão para o russo. A suspensão seria (e foi) cumprida nos dois primeiros jogos do torneio. O treinador Guus Hiddink ignorou isso e incluiu o jogador na lista de convocados.
   Sem ele, suspenso, a Rússia foi goleada na estreia por 4 a 1 pela Espanha e derrotou os gregos pelo placar mínimo na rodada seguinte. No último jogo da fase de grupos, a classificação estava em jogo. A Suécia, então liderada por Ibrahimovic, era a adversária do confronto e jogava pelo empate, em função do melhor saldo de gols. Eis que Arshavin enfim, entra em campo em um grande palco no futebol internacional. E a longa espera valeu, e muito, a pena.
   O pequeno craque acabou com o jogo. Construiu a jogada do primeiro gol e marcou o segundo. Recebeu o prêmio de melhor em campo pela UEFA. Vitória russa por 2 a 0, e pela primeira vez depois da dissolução da União Soviética, o país estava classificado para uma fase de mata-mata de uma grande competição. Nas quartas de finais, mais um show do pequeno mágico.
   Os rivais do duelo eram os holandeses, que contavam com um elenco estrelado. van der Sar, Sneijder, van Nistelrooy e cia. Mas a Rússia não estremeceu. Empate em 1 a 1 no tempo regulamentar. Na prorrogação, Arshavin resolveu. Assistência para Torbinski e gol. Eleito novamente melhor da partida. Os russos estavam nas semifinais da Eurocopa. Aquela foi a, então, maior noite do futebol do país. A história já estava escrita.


  
   Nas semis, caíram diante dos futuros campeões, a seleção espanhola, que também seria campeã mundial dois anos depois e voltaria a conquistar a Europa em 2012. Arshavin foi nomeado para a seleção dos melhores da competição e, assim como seus companheiros levou para casa a medalha de bronze. No final do ano, estava na lista de concorrentes do prêmio de melhor do mundo, tanto pela Ballon d'Or quanto pela FIFA. Ficou em 6o e 11o lugar, respectivamente. O Zenit havia ficado pequeno demais para ele.
   Em fevereiro de 2009, o Arsenal levou a melhor na disputa pela sua contratação. O russo enfim chegava a um gigante europeu e já fazendo sucesso. Mesmo tendo jogado apenas metade da temporada, foi eleito pelos torcedores como o segundo melhor jogador do clube. Nesse tempo, teve a atuação de gala marcando 4 gols contra o Liverpool em Anfield.
   A enorme expectativa deixada nos torcedores pela primeira temporada não se concretizou. O jogador continuou sendo importante, mas sem o brilho que todos esperavam. Até que entrou em evidente decadência. Retornou ao clube onde surgiu por empréstimo em 2012 e definitivamente em 2013, mas passou longe de repetir as atuações que o fizeram ídolo por lá. Não à toa perdeu espaço e se encontra desde 2016 bem longe dos holofotes, no Kairat do Cazaquistão, ainda na ativa.
   Há quem diga que a não classificação para a Copa do Mundo de 2010 teve enorme influência nisso. Dizem que depois daquela noite na Eslovênia, ele nunca mais foi o mesmo. E realmente, o craque não conseguiu manter o altíssimo desempenho. Ainda assim, tinha espaço para mais uma competição com a seleção russa. 
   Na Eurocopa de 2012, foi novamente o capitão, e atuou nos três jogos da seleção na fase de grupos. Mas a presença russa ficou por aí. Estrearam com o pé direito, goleada por 4 a 1 sobre a Reública Tcheca, com participação direta de Arshavin em dois gols. Em seguida, o jogador deu mais uma assistência, mas cederam o empate contra os poloneses, donos da casa. E na partida decisiva, bastava empatar com a Grécia, que não havia vencido na competição. Até então. Vitória grega bem ao seu estilo, placar magro, com gol do lendário Karagounis. Com o resultado, os russos voltaram para casa.
   A trajetória de Arshavin com a seleção chegava ao fim. Até marcou presença na primeira convocação do novo treinador Fabio Capello, e no fundo tinha expectativas de ser lembrado na lista para a Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil. Infelizmente, a expectativa não se cumpriu. E o sonho de disputar uma Copa ficou para trás. Para o ciclo seguinte, a presença do jogador na seleção já estava fora de cogitação, uma vez que vivia o crepúsculo de sua carreira.
   Infelizmente, nós amantes do futebol nunca saberemos como seria a magia de Arshavin no grande espetáculo do futebol mundial, a Copa do Mundo. Nos resta a dúvida. Que apresentações ele nos reservaria com a geração de ouro do futebol russo na Copa de 2010? Se fosse possível voltar no tempo.... Playoffs das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2010. Rússia 2 x 1 Eslovênia. Partida de volta em Maribor, na Eslovênia. Para os russos, capitaneados por Arshavin, o empate basta para garantir presença na Copa....


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