Craques sem Copa 2: Claudio Pizarro


   Claudio Pizarro é, sem sombra de dúvidas, o nome mais respeitado do futebol peruano no exterior. Um verdadeiro embaixador do futebol do seu país. Na Alemanha, é lenda. Maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga. Ídolo do Bayern e do Werder Bremen, onde hoje vive o apagar das luzes de sua brilhante carreira, em sua 4a passagem pelo clube. 
   Pela seleção peruana, uma longa história de 17 anos. Tudo começou em fevereiro de 1999, em amistoso disputado contra o Equador. Uma semana depois, contra o mesmo adversário, "El Bombardero" marcou o seu primeiro gol com a seleção. No mesmo ano, disputou a sua 1a Copa América com a blanquirroja. 
   Copa América, além de 1999, foram outras 3 Copa América . Em 2004, caiu nas quartas de finais pra Argentina. Em 2007, dessa vez como capitão, a cena se repetiu, queda na mesma fase contra o mesmo adversário da edição anterior. Em 2015, novamente como capitão, liderou sua seleção na histórica campanha rumo ao 3o lugar. Contra a Venezuela, ainda na fase de grupos, marcou o gol da vitória. Mal sabia ele que seria seu último gol com a blanquirroja. E talvez tenha sido o mais importante.
   
   
   Já a Copa do Mundo, ou melhor, as Eliminatórias para a Copa do Mundo, não traz boas lembranças a Pizarro. Era figurinha carimbada na seleção peruana durante as Eliminatórias para as Copas de 2002, 2006, 2010 e 2014. Todas terminaram de forma melancólica. O país não chegou nem perto de conquistar a vaga para disputar o Mundial.
   Após a Copa América de 2015, já com 36 anos, "El Bombardero" começou a perder espaço no time. Ainda marcou presença nas partidas pelas Eliminatórias para a Copa até março de 2016, quando vestiu pela última vez a camisa da seleção, em derrota diante do Uruguai. Não estava mais rendendo tanto. Por isso, foi deixado de fora pelo treinador Ricardo Gareca da convocação para a Copa América Centenário, embora continuasse marcando gols com a camisa do Werder Bremen.
   Eis que as coisas começaram a dar certo para os peruanos, agora sem Pizarro, nas Eliminatórias para a Copa da Rússia. Os comandados de Gareca surpreenderam todo mundo e colecionaram bons resultados, que levaram a seleção à conquista da vaga para a repescagem na última rodada, e com a vitória sobre a Nova Zelândia, da vaga para a Copa do Mundo de 2018.
   O goleador acompanhava de longe a surpreendente campanha de seus ex-companheiros. Em momento algum ele abriu mão da seleção. Sempre se colocou à disposição do treinador, manifestando diversas vezes em público o desejo de voltar à seleção. Acreditava que podiam chegar à Copa do Mundo. Mas Gareca não voltou a convocá-lo.
   Na ausência do também atacante Guerrero na respecagem contra a Nova Zelândia, devido à suspensão por doping, muita gente pensava que Pizarro poderia ser útil à seleção, que ficara sem o seu centravante. Muita gente pensava que ele seria convocado. Mas não, o treinador manteve a sua posição e não convocou o jogador. Depois veio a tão sonhada vaga para a Copa. "El Bombardero" tinha o sonho de ir para o Mundial.
   O povo peruano estava dividido. De um lado, as gerações que tem Pizarro como ídolo. Capitão que levou a bandeira do Peru no peito em tempos de vacas magras, sem nunca fugir da luta, agora merecia a recompensa pelos anos de esforço. Do outro, os que defendiam que aqueles que haviam conquistado a vaga para a Copa mereciam estar lá presentes. O goleador não fez parte da reviravolta da seleção rumo à conquistar a vaga. No final das contas, esses últimos tiveram o seu desejo realizado por Gareca.
   Às vésperas da Copa, a mãe de Guerrero, em episódio lamentável, acusou Pizarro de estar envolvido em esquemas para a suspensão (depois, anulada) de seu filho do mundial. Sem noção. E vários outros sem noção foram na onda, disseminando ódio nas redes sociais contra "El Bombardero".
   Nem todos os sonhos se tornam realidade. O sonho da Copa ficou só no sonho para Pizarro. Mas não há realidade que não tenha nascido de um sonho. 17 anos defendendo as cores do Peru. 17 anos de muita luta. Ídolo. Lenda. "El Bombardero" jamais será esquecido pelos peruanos. Nenhuma gota de suor foi em vão. Se a seleção está em alta hoje, muito se deve ao goleador levantar a bandeira do futebol peruano no mundo.
   

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Obrigado, Sneijder

Giro pelos Amistosos Internacionais do dia 10/9

Moukandjo se aposenta do futebol internacional